segunda, 26 março 2012 15:25

XXI Feira do Queijo reuniu conjunto de eventos e lançou livro “Com os Pastores também se Aprende”

Para além da comercialização de 2100 quilos de Queijo Serra da Estrela e de Queijo de Ovelha Curado, sem contar com a venda de outros produtos locais de qualidade, a 21.ª Feira do Queijo Serra da Estrela primou por um programa rico em eventos, que teve início logo na noite de 16 de março, na Casa da Cultura César de Oliveira, com a Noite de Fados da Beira Serra.

Os Show-Cooking com receitas de base Serra da Estrela, pelos conceituados chefes Hélio Loureiro e Álvaro Costa, decorreram na Tenda de Eventos do certame, e foram das iniciativas que mais público atraíram, a par de uma demonstração do fabrico ao vivo do Queijo Serra da Estrela, de um workshop de artesanato açoriano, de um festival equestre noturno e da atuação de vários grupos de folclore locais.

Um dos momentos mais altos da Feira aconteceu, porém, a 18 de março, com o lançamento e a apresentação do livro “Com os Pastores também se Aprende”, da autoria de António Vaz Patto. Com uma mesa composta pela vereadora Graça Silva, pelo pároco António Borges, por Francisco Antunes e pelo próprio autor, a apresentação do livro, uma homenagem à atividade pastoril, contou com uma vasta plateia.

Graça Silva explicou que o livro surgiu de uma proposta de António Vaz Patto que apresentou ao município um conjunto de páginas datilografadas com o vocabulário tradicional ligado à pastorícia – “trata-se de um glossário de A a Z, com alguns termos e maneiras usuais de denominar certos termos ligados à ovinicultura e à tradição pastoril”, referiu.

Já para António Borges, pároco da freguesia de Oliveira do Hospital, “este é um livro que honra o vocabulário tradicional do nosso concelho e de uma atividade nobre como a pastorícia. É importante não deixar cair no esquecimento estas manifestações do património imaterial”, considerou, reiterando que “tudo o que é dos pastores é bom, a começar pelo queijo”.

“Um contributo para a história do nosso concelho”. É assim que Francisco Antunes encara a obra do conhecido médico cirurgião. “Há 900 anos, os nossos antepassados eram pastores e viviam em comunidades agro-pastoris, em que os fornos, lagares e outros utensílios eram de uso comunitário. Nessa altura, a principal fonte de rendimento era a pastorícia, tanto pela sua carne, como pelo leite ou a lã”, referiu Francisco Antunes, lembrando as influências latinas e mouras dos vocábulos que surgem na edição literária mais recente da Câmara Municipal.

António Vaz Patto, por sua vez, revelou a sua preocupação em preservar a cultura imaterial da região, evitando que esta se deixe cair no esquecimento, e afirmou que muitos dos vocábulos contidos no livro já caíram em desuso. “Há que transmitir o nosso património e sabedoria popular, que fazem parte da nossa identidade coletiva”, concluiu.


        

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