terça, 03 maio 2011 15:10

Jovens do Programa Férias Arqueológicas identificam ocupação proto-histórica

De 11 a 16 de Abril, semana coincidente com as férias escolares da Páscoa, a freguesia da Bobaleda voltou a assistir a uma “invasão” dos pequenos “Indiana Jones” que durante o Verão transacto haviam já mexido e remexido a terra à procura de “tesouros” do passado que foram ficando enterrados no solo da Bobadela, terra de uma documentada cidade romana e de civilizações mais antigas.


Foram mais de uma centena e meia as crianças e jovens oriundos do concelho de Oliveira do Hospital e concelhos limítrofes que aceitaram o desafio de conciliar entretenimento, conhecimento e cultura e que, em jeito de aprendizes de arqueológos, colaboraram em missões de prospecção arqueológica nas freguesias da Bobadela e Santa Ovaia. Tratou-se do Programa “Férias Arqueológicas – Páscoa 2011”, inserido na III Campanha Arqueológica promovida pela Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, em estreita colaboração com a Junta de Freguesia da Bobadela e o Instituto de Arqueologia da Universidade de Coimbra.
Rui Silva, o arqueológo que conviveu de perto com o entusiasmo dos mais novos, iniciando-os nas pisadas fascinantes da Arqueologia, explica que a terceira edição das “Férias Arqueológicas” contou com uma natureza de intervenção diferente, assente na prospecção de territórios, de algum modo estratégicos, para identificação de novos sítios que se pretende constituirem alvo de novas escavações por parte dos muitos jovens que manifestaram já o seu interesse em fazer da pá e da picareta instrumentos de lazer na próximas edições do programa desenvolvido pelo município oliveirense.

Satisfeito com a manifesta adesão por parte da população em geral, o arqueólogo Rui Silva destaca o interesse e apoio das Juntas de Freguesia nas missões de prospecção e salienta o contributo da participação do Agrupamento de Escolas do Vale do Alva e do Colégio de Línguas e Artes de Oliveira do Hospital e Seia, concluindo que “se, ao nível das entidades participantes, esta edição correu de forma extraordinária, em termos arqueológicos não podia ter corrido melhor”. “Isto porque foram identificados lugares inéditos com grande potencial ao nível da cultura material não só legada pela civilização romana, mas também por outros povos”, explica o arqueológo que vai, assim, reunindo elementos essenciais para a sintetização do modelo de ocupação territorial do concelho de Oliveira do Hospital.
Com efeito, o interesse arqueológico do anfiteatro romano e do centro histórico a Bobadela passa agora, em muito devido ao contributo dos jovens participantes das Férias Arqueológicas, a ser alargado a outros núcleos da freguesia, como o território envolvente ao castro de S. Sebastião, a ocupação proto-histórica do Cerro do Walker e ainda outros núcleos das freguesias de Santa Ovaia e de Seixo da Beira, até à data sem valor arqueológico reconhecido e que, segundo a vontade de Rui Silva, “serão, num futuro próximo, estudadas detalhadamente”.
No que concerne à compreensão e apoio das populações locais, o arqueológo ao serviço do Munícipio refere ser, no geral, “muito positivo, sendo que os cidadãos mostram frequentemente o seu interesse e disponibilidade, encarando as actividades arqueológicas como uma mais-valia cultural, lúdica e educativa para o seu Concelho”.
Reconhecendo que “nada melhor que as missões arqueológicas e a dinamização contínua do património para impulsionar o turismo”, Rui Silva garante já ter autorização dos proprietários envolvidos para que, no próximo Verão, a área de escavação possa ser alargada. “Há muita coisa com valor enterrada e projectos como este são para continuar, porque a Bobadela é um autêntico universo a descobrir e a cultura não tem preço”, adianta o arqueológo.
Das principais gratificações por estes dias em que, juntamente com dezenas de jovens, se entregou a um trabalho que, para além de perícia envolvia um considerável esforço físico, Rui Silva destaca “o sorriso das crianças sedentas de conhecimento, as amizades travadas e as reincidências nas inscrições”. “Estes jovens vão mostrar uma visão diferente perante a arqueologia e a preservação do património, uma vez que conhecem todo o trabalho técnico e braçal que está por trás destes pedaços de história”, acredita.

Não obstante, o Município Oliveirense considera que este tipo de projectos representam um valor acrescido para o Concelho e população, revelando forte determinação em continuar a incrementar este e outro tipo de iniciativas de natureza pedagógica e cultural.

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